{"id":23117,"date":"2024-11-25T02:32:48","date_gmt":"2024-11-25T00:32:48","guid":{"rendered":"https:\/\/alsinac.com\/a-cava-no-mundo-dos-faraos\/"},"modified":"2024-11-25T02:32:48","modified_gmt":"2024-11-25T00:32:48","slug":"a-cava-no-mundo-dos-faraos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alsinac.com\/pt-br\/a-cava-no-mundo-dos-faraos\/","title":{"rendered":"A Cava no Mundo dos Fara\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>A antiga civiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia, grandemente admirada e estudada atualmente, parece uma sociedade muito distante do nosso tempo. Podemos ter a impress\u00e3o de que dois assuntos \u201cessenciais\u201d para n\u00f3s como o vinho e o Natal n\u00e3o t\u00eam muito em comum com um povo que floresceu h\u00e1 cerca de 5.000 anos. Acontece que tanto o Natal como o vinho foram elementos fundamentais no Imp\u00e9rio Eg\u00edpcio. A realidade \u00e9 que os tempos distantes forjaram de forma clara o que somos, poderiam correr rios de tinta sobre ele; na verdade j\u00e1 correram rios de tinta&#8230; Aqui vamos ser um pouco mais modestos e focaremos nos dois temas que anunciamos anteriormente.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 30px;\">O Natal antes do Natal<\/span><\/h2>\n<p>Como j\u00e1 sabemos, o Natal \u00e9 uma forma cristianizada de celebrar uma tradi\u00e7\u00e3o ancestral: o solst\u00edcio de inverno. No hemisf\u00e9rio norte, o sol alcan\u00e7a em certo momento seu ponto mais baixo e o homem, em seu desejo de venerar o astro rei \u2013 que afinal foi quem deu vida \u00e0 Terra \u2013 honra estes acontecimentos desde tempos imemoriais. E n\u00e3o poderia ser diferente com os antigos eg\u00edpcios, que tamb\u00e9m foram grandes promotores da matem\u00e1tica e da astronomia, entre muitos outros avan\u00e7os. \u00c9 por isso que celebram precisamente todo 25 de dezembro o renascimento do deus Sol, Ra na mitologia eg\u00edpcia.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 30px;\">Uma antecipa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Jesus<\/span><\/h2>\n<p>O referido renascimento deve-se ao fato de que apenas tr\u00eas dias antes da mencionada data, o sol, em seu ponto mais baixo no c\u00e9u, podia ser visto sutilmente. Durante este per\u00edodo, as casas eram muitas vezes decoradas com folhas de palmeiras e galhos, certamente n\u00e3o muito diferente das nossas tradicionais \u00e1rvores de Natal. A hist\u00f3ria n\u00e3o fica limitada apenas a esses dias finais do m\u00eas de dezembro, mas se inicia 28 dias antes (ou seja, um ciclo lunar). Segundo Plutarco, em tal dia, Seth (que \u00e9 o s\u00edmbolo da seca que tenta usurpar a umidade dos \u201cdisc\u00edpulos\u201d do Nilo) assassina Os\u00edris (deus da agricultura, entre outras coisas) em uma tradi\u00e7\u00e3o que lembra muito a \u00daltima Ceia. \u00c9 justamente nesse momento quando come\u00e7am as quatro semanas do Advento do Cristianismo (\u201cPara preparar-nos dignamente para celebrar o anivers\u00e1rio da vinda do Senhor ao mundo como o Deus de amor encarnado\u201d). O Ciclo se encerra com a Epifania \u2013 o Dia de Reis \u2013 40 dias depois do in\u00edcio do Advento, data em que os eg\u00edpcios finalizavam um per\u00edodo de jejum e priva\u00e7\u00f5es. Nesta hist\u00f3ria as tradi\u00e7\u00f5es natalinas e as da Semana Santa se unem no calend\u00e1rio crist\u00e3o. Fomos muito sucintos aqui ao estabelecer paralelos, mais detalhes podem ser encontrados na bibliografia (listada mais abaixo).<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 30px;\">A preciosa influ\u00eancia do Nilo na enologia<\/span><\/h2>\n<p>Com o vinho e a cava, que n\u00e3o faltam na mesa de nossas celebra\u00e7\u00f5es e muito menos no Natal, a hist\u00f3ria nos explica que tamb\u00e9m estamos em d\u00edvida com o Antigo Egito. \u00c9 verdade que sua origem \u00e9 da \u00c1sia Menor, o vinho chegou ao Egito atrav\u00e9s do com\u00e9rcio e ali experimentou importantes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Entre eles, destacam-se a padroniza\u00e7\u00e3o da \u00e2nfora para sua conserva\u00e7\u00e3o; mesmo ainda existindo diferentes recipientes para tal prop\u00f3sito em diversos povos, no Egito estabeleceu-se as dimens\u00f5es e formas que conhecemos (em nossa terra tem uma abund\u00e2ncia delas, provenientes da \u00e9poca romana), servindo para o com\u00e9rcio do vinho no Mediterr\u00e2neo durante muitos s\u00e9culos.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 30px;\">A origem da Denomina\u00e7\u00e3o de Origem<\/span><\/h2>\n<p>Por outro lado, devido \u00e0 grande aprecia\u00e7\u00e3o pelo vinho por parte desta civiliza\u00e7\u00e3o (ao qual atribu\u00edam poderes celestiais devido a seu efeito embriagador e ao fato de que provavelmente n\u00e3o conheciam o mecanismo pelo qual ocorre a fermenta\u00e7\u00e3o), podemos dizer que foram eles que inventaram o primeiro r\u00f3tulo. O fato \u00e9 que no interior de importantes c\u00e2maras mortu\u00e1rias foram encontradas \u00e2nforas com inscri\u00e7\u00f5es detalhando a origem, o ano e inclusive o produtor em alguns casos. Isto deve-se a necessidade de classificar os diferentes tipos vinhos (o mais distribu\u00eddo era o tinto), pois o mercado de tal produto naquela \u00e9poca era muito florescente, o mais vasto do mundo naquele momento. Curiosamente, os eg\u00edpcios conheciam a efervesc\u00eancia do vinho em uma segunda fermenta\u00e7\u00e3o. Infelizmente para eles, isso era considerado um defeito, fazendo com que tiv\u00e9ssemos que esperar v\u00e1rios mil\u00eanios para poder disfrutar de uma boa ta\u00e7a de cava.<\/p>\n<h2><span style=\"font-size: 30px;\">A Cava, um filho do Mediterr\u00e2neo<\/span><\/h2>\n<p>Alguns versos da consp\u00edcua can\u00e7\u00e3o de Serrat n\u00e3o poderiam ter definido melhor \u201c\u2026Yo \/que en la piel tengo el sabor\/ amargo del llanto eterno\/ que han vertido en ti cien pueblos\/ de Algeciras a Estambul\u2026\u201d (\u201cEu\/ que na pele tenho o sabor\/ amargo do pranto eterno\/ que derramaram em voc\u00ea cem povos\/ de Algeciras \u00e0 Istambul&#8230;\u201d) Para o bem e para o mal, somos filhos do Mediterr\u00e2neo. Muitas das tradi\u00e7\u00f5es que agora s\u00e3o universais foram criadas aqui. Ent\u00e3o quando tomamos uma ta\u00e7a de espumante de cava na v\u00e9spera de Natal, estamos revivendo a hist\u00f3ria e perpetuando nossas origens.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16px;\">Para criar este artigo usamos informa\u00e7\u00f5es dos seguintes links e bibliografia:<\/span><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.imagininghistory.co.uk\/post\/ancient-origins-of-the-christmas-tree#:~:text=Ancient%20Egypt%20(3100BC%2D30BC)%3A&amp;text=They%20actually%20had%20a%20special,lowest%20point%20in%20the%20sky\">&#8211; &#8220;Ancient Origins of the Christmas Tree&#8221;, <em> 1\/12\/2020, ImagingHistory. <\/em><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.champagne.fr\/en\/terroir-appellation\/champagne-vineyard-and-appellation-history\/origins-effervescence\">&#8211; &#8220;History of the Champagne Vineyard and appellation&#8221;, <em>Comit\u00e9 Champagne.<\/em><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/vinepair.com\/wine-blog\/5-tales-wine-history-exodus-egypt\/\">&#8211; &#8220;5 Tales of Wine History from the age of the Exodus&#8221;, <em> 14\/4\/2014, Joshua Malin. <\/em><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/vinepair.com\/wine-blog\/the-first-wine-label-was-invented-in-egypt\/\">&#8211; &#8220;The first Wine Label was invented in Egypt&#8221;, <em>14\/3\/2016, Adam Teeter. <\/em><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Egyptian_wine#:~:text=Wine%20in%20ancient%20Egypt%20was,from%20pomegranates%20as%20previously%20thought\">&#8211; &#8220;Egyptian Wine&#8221;, <em>Wikipedia. <\/em><\/a><\/p>\n<p>Os seguintes posts em nosso blog abordam temas relacionados a este artigo:<br \/>\n<a href=\"\/?p=14539\">&#8211; Cava y Navidad: El Legado de los Fenicios.<\/a><br \/>\n<a href=\"\/?p=11696\">&#8211; El Brindis con Cava: Un Instante M\u00e1gico.<\/a><br \/>\n<a href=\"\/?p=16726\">&#8211; El Pac\u00edfico Imperio de las Burbujas <\/a><\/p>\n<span class=\"et_bloom_bottom_trigger\"><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A antiga civiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia, grandemente admirada e estudada atualmente, parece uma sociedade muito distante do nosso tempo. 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